Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Ana ☯

Direitos Humanos, Opinião e Artes.

27.06.20

Desumanizamo-nos, ainda mais, para humanizar máquinas?

____________________________________________________________________________

 

A ler aqui, copiei palavras que me ferem no mais profundo da alma. Como se não bastassem as repetidas mentiras hipocritas dos “homens”, de constantemente me repetirem que “o importante são as pessoas” - quando só vejo preocupação com dinheiro e números; agora “dizem-me” que a “arte já não é exclusiva dos humanos”, e “…qualquer algoritmo minimamente desenvolvido pode já substituir muitos artistas em actividade neste momento…”, sendo esta, a Inteligência Artificial, “uma oportunidade para a Humanidade olhar em frente e pensar quais os próximos passos de criação, que modos e possibilidades.

 

Nada tenho contra as “máquinas”, se estas servirem só, e apenas, para nos ajudar e facilitar tarefas. Substituir-nos? Sim. O futuro do capital assim o exige, e as “pessoas” não são, nem nunca foram, “importantes” para o seu propósito. Perdão, as pessoas são importantes para sacrificarem as suas vidas em nome da economia.

 

O desejo de se expressar e criar, é intrínseco ao Ser Humano e as primeiras manifestações artísticas datam da Pré-história. A arte é, e sempre foi, uma forma do ser humano se expressar.

 

A Arte é a capacidade que o Ser Humano tem de criar o belo, como produto da acção individual e da sensibilidade, valendo-se da sua faculdade de inspiração e da exteriorização de sentimentos e emoções, independentemente de qualquer finalidade utilitária.

 

São os artistas que têm o dom de “provocar” a sociedade e de estimular a consciência colectiva e individual.

 

A Fonte” (1917), obra polémica de Marcel Duchamp, é uma “provocação”. O artista francês retirou um objecto do seu contexto quotidiano e deslocou-o para dentro de uma galeria, fazendo com que ele passasse a ser lido como obra de arte. O que mudou aqui foi o estatuto da peça: ela saiu de uma casa de banho, onde tinha uma função, e passou a ser observada com um olhar distinto, quando disposta na sala de um espaço artístico.

 

O gesto “transgressor” de Duchamp pretendia questionar os limites de Arte: afinal, o que define um objecto artístico? O que é uma obra legítima? Quem a legitima?

 

A escolha de Duchamp provocou, e ainda provoca, resistência no público, mas é esse o seu objectivo: questionar, pensar.

 

A Inteligência Artificial pode fazer tudo isto?

Não, a IA não questiona, fornece respostas. A IA não tem emoções, tem dados, algoritmos.

Desumanizamo-nos, ainda mais, para humanizar máquinas?

 

Fontaine-Duchamp.jpg
Por Micha L. Rieser, Attribution, Hiperligação

 

1 comentário

🚯